Construindo o personagem através do diálogo

Vou compartilhar com vocês algo que estou estudando no momento, a criação do personagem, dando vida ao mesmo através dos diálogos e da inflexão dentro desses diálogos.

Algo que pode ser fantástico para autores iniciantes, que se preocupam fortemente com descrever, fazendo uso de adjetivos, como o personagem fala ao invés de colocar esses elementos na sentença, para não ter que descrevê-los de maneira cansativa.

Vamos aprender?

Inflexão

A inflexão é realmente sobre o tom da voz, seja a voz do seu personagem ou a voz para você como autor. Aquelas frases que nos dizem o que está acontecendo, mas não são necessariamente faladas por um personagem.

Então, quando você diz: o gato estava trite, essa é a sua voz como autor. E se você optar por usar muitos adjetivos para descrever o gato ou optar por dizer que ele estava alegre e saltitante, ou não havia gato nenhum. Todas essas são suas escolhas e elas revelam não apenas a história, mas também a natureza do autor.

A inflexão pode revelar a natureza do seu personagem através de como eles falam e, porque e sobre o que eles falam. É importante criar seus personagens de forma que eles tenham vozes distintas que o leitor possa identificar e saber quem está contando a história. É sempre o que queremos saber. De quem é a história?

Nós nos revelamos por nossas ações e pelo nosso discurso. Mas quando você está escrevendo um personagem, o discurso não está apenas em diálogo, mas também nas palavras que eles escolhem quando expressam seus pensamentos.

Eles são de um tipo de comunidade ou de outra? Todo mundo é de algum lugar. Todo mundo tem origens. Todo mundo nasce em algum lugar do espectro econômico, em algum lugar do espectro socioeconômico. Todo mundo é influenciado por sua região.

A maioria de nós fala da mesma maneira que as outras pessoas da nossa família, amigos ou comunidade. Essa diferença de fala pode ser escutada na voz de seus personagens.

Todas essas possibilidades existem para você considerar. E é como criar uma orquestra. É uma orquestra de vozes que você começa a compor e dessa forma, cria para o seu personagem, o ritmo, que é único para ele.

Não é um sistema de distribuição de informações. É uma luz que você coloca no coração de seus personagens. É um amplificador para a voz que está dentro deles.

Amy Bloom

Adjetivos e advérbios

Uma das muletas em que os escritores iniciantes costumam se apoiar são adjetivos e advérbios. Sincera, docemente, feliz, impotente, esperançosamente, zangada, miseravelmente, embora todas essas palavras transmitam um sentimento.

Quando você começa a empilhá-los em diálogo, isso realmente tira a atenção do que as pessoas estão dizendo e leva o foco para como eles estão dizendo isso, em vez de fazer com que a frase diga ela mesma.

Em outras palavras, se alguém diz:

– Eu odeio a sua cara, Maria! Disse Marta furiosa.

Furiosa, não é necessário aqui, porque a frase de ódio já disse tudo.

Agora, se alguém disser:

– Eu odeio a sua cara, Maria, disse Marta com voz doce.

Pode valer a pena usar o advérbio. Os advérbios são úteis quando a conversa não está como o esperado, mas está virando a esquina para nos surpreender:

– Eu te amo, ela disse com raiva.

No entanto, busque sempre um diálogo que seja simples. Você quer mostrar o discurso de seu personagem em um cenário bem claro e precisa confiar em si mesmo como escritor. Confiar que escreveu uma linha de diálogo que nos dá uma noção de quem é o personagem.

Variedade na fala

O diálogo pode transmitir a cena por si só e, onde quer que seja, você deve deixar isso acontecer. Se um ou outro dos seus personagens, hesitar, refletir, ou a cena exigir uma pausa, é uma boa oportunidade para inserir uma ação que acompanha a conversa.

Por exemplo, duas pessoas que não estão apenas conversando, mas é claro que estarão falando em um lugar específico. Então, digamos que eles estejam em uma cozinha. E digamos que enquanto eles conversam, como sempre acontece, alguém está cozinhando. Ele diz alguma coisa, ela diz alguma coisa. E então há uma pausa no diálogo, durante a qual vemos toda a cena dela cortando o tomate, ele tirando um prato do armário e o diálogo é retomado.

Você sempre deve usar o contexto. Onde estamos? Quando é? Noite ou dia. Que tipo de atmosfera? Que tipo de cenário? O que eles fazem, frequentemente revela seus modos, mesmo que estejam tentando esconder isso.

Lembre-se de que nossos personagens são pessoas e, às vezes, quanto mais você quer algo, mais difícil é escondê-lo. Desejos e paixões são difíceis de esconder e separar de nossas ações.

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